LIDERANÇA ÉTICA E TRANSFORMADORA
Tecer considerações sobre liderança ética e transformadora necessita, primeiramente, se abster das mais recentes e constantes notícias sobre corrupção, falcatruas, nepotismo e diferentes formas de usar o poder a favor dos próprios interesses.
Será possível a existência de um líder que seja capaz de agir eticamente e, ao mesmo tempo, provocar transformações em suas equipes? Penso que sim, desde que legitimado e não apenas, instituído no cargo, isto é, legalizado, sem o reconhecimento de seus pares.
E o que o legitima? Explico: há situações corporativas, e várias existem, em que a presença desta liderança centralizadora precisa decidir qual a nova direção, o novo foco, quando desafios não previstos inviabilizam os planos iniciais. A preocupação com os interesses coletivos deverá superar os interesses pessoais, caso contrário, exemplos existem de organizações em que seus líderes priorizaram interesses pessoais em detrimento ao que seria melhor para o grupo. E o que aconteceu? Algumas dessas organizações já não existem mais. E por que? O comportamento do líder voltado para si próprio poderá ser responsável por um dos cinco vírus inimigos da produtividade, segundo Fred Kofman.
O primeiro deles – a miopia ética – nos fala, justamente, da quebra dos valores que deveriam nortear as organizações, mas que são atropelados pelo imediatismo de uma pseudo-liderança, pois se coloca à margem do respei-to, da confiança, da transparência e da integridade.
No segundo vírus, o da irresponsabilidade, o indivíduo pratica a autodefesa em detrimento da responsabilidade que tem no fracasso, por exemplo, de algum projeto que necessita ser revisto. Sua postura evidencia total ausência de comprometimento, associando aos demais envolvidos a “culpa” pelos desacertos.
A arrogância ontológica, terceiro vírus descrito por Kofman é o que identificamos como “dono da verdade” ou “quem não está comigo, não está com ninguém”. Como se sente superior utiliza a arrogância como justificativa para identificar, fora de si, a causa de não atingir as metas na venda, por exemplo, de determinado produto: “O produto é ruim, ninguém o deseja comprar”... O produto é o culpado de tudo!
O quarto vírus – a negociação narcisista – identifica o profissional que aumenta a sua auto-estima baixando a dos que o cercam, exercendo o poder com toda a sua sedução, inaugura a crença de que o poder, o valor, a competência fazem dele o “maior e melhor” gestor e, portanto deverá ser acompanhado em sua trajetória pelos demais, literalmente – os outros, menos afortunados. É o centro de tudo!
Concluindo, toda e qualquer liderança ética e transformadora só existirá se estratégias forem utilizadas banindo os cinco vírus inimigos da produtividade acima mencionados. Mais uma vez o interesse pela ética empresarial se faz presente, pois todos os vírus que Kofman apresenta estão necessariamente relacionados a comportamentos carentes de ética pessoal e profissional.
Ricamar é Mestre pela FGV/RJ, Autora de livro, Palestrante, Consultora na Área de Gestão e Desenvolvimento Pessoal e Profissional e de Ética Organizacional e e Responsabilidade Social, Diretora da RMaia Consultores.
ricamar.maia@globo.com